quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

A bênção da faxina




Depois de três dias complicados, de hipotensão, bradicardia, arritmia, pouca movimentação, cansaço absurdo e sensação de que carreguei um rinoceronte ladeira acima, consegui ter força suficiente para limpar as caixas de areia, passar aspirador e MOP na casa. E isso merece ser registrado. Antes eu tinha um dia bom a cada duas semanas. Agora, um dia bom por semana (ou, como hoje, umas quatro horas bem boas, antes de precisar me deitar novamente). Minha meta é chegar a ter 7 dias bons por semana. 😃 

Passei aqui para te lembrar de valorizar a sua capacidade de varrer a casa, da próxima vez que tiver que fazer isso rs. Em vez de reclamar por fazer o serviço doméstico, que tal agradecer por você ter força e saúde para fazer isso? Reclamar menos, agradecer mais. Reclamar menos, valorizar mais. Ninguém melhorou a vida por meio de reclamação. 
Isso me lembra de algo que li no livro A Mulher V algum tempo atrás, no capítulo sobre Apreciação. Ela comentava sobre como algumas mulheres passam tanto tempo querendo casamento, casa, marido, filhos, independência, etc. Mas depois que conseguem, não demoram a reclamar e desprezar aquelas coisas que diziam tanto querer. Tudo se torna um fardo, como se cuidar da casa fosse algo de menor valor. É a SUA CASA, que graças a Deus você tem! É o seu território, o pequeno espaço do universo que é de responsabilidade sua (isso vale para o seu quarto também, se você for solteiro). Poder fazer uma faxina é uma bênção.
Fala a verdade, você nunca pensou nisso, né? Nunca pensou que fazer faxina é uma bênção. Sinal de que você tem um cantinho para chamar de seu, sinal de que você tem disposição e força física (ainda que chegue cansada do trabalho, o cansaço normal NÃO SE COMPARA à fadiga de alguém que está doente, com problema cardíaco ou neurológico, vá por mim, é como se você passasse uma semana sem dormir e carregando saco de cimento), sinal de que você tem saúde.
E se você ainda não tem saúde, força ou disposição, espero que já saiba valorizar os momentos em que essas coisas dão o ar da graça — e isso acontecerá com mais frequência. Elas davam menos o ar da graça quando eu, por me sentir fisicamente mal, vivia estressada e me forçando mais do que eu aguentava, para ver se conseguia fazer pelo menos o mínimo aceitável. Vivia me cobrando, como se a culpa por tudo ser tão difícil fosse minha. Tive que mudar minha cabeça primeiro, para que meu corpo pudesse começar a reagir. 
Então, comece a olhar diferente para aquilo que te irrita e as coisas vão ficar bem mais leves. 😉 
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PS. Os bispos subindo o Sinai e eu limpando a casa, o que, para mim, é bem semelhante em nível de sacrifício e fé! 😃

PS2. Desculpe pelo look do dia. Resolução de ano novo era voltar a escrever e mostrar mais do meu dia a dia, o que eventualmente pode envolver zero glamour e look “Maria da limpeza”. 😄
*Post ampliado do original do instagram @vanessalampert.
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#ReclameMenos #PorUmMundoSemReclamação #PareDeReclamar #ÉvocêQueEscolheEmQueVaiColocarSuaAtenção #FocoNasPequenasVitórias #CadaFaxinaÉUmaVitória 

Pedido aos leitores e amigos

Encontrei esta foto de janeiro do ano passado. Hoje eu não estava fotografável, posso colocar uma “imagem meramente ilustrativa” quando for assim? 😄

Hoje, bastante dor, dia bem sintomático, mas não vou discorrer a respeito, para não dar muita atenção ao que não merece atenção.
Percebi que nem todo mundo está entendendo o que está acontecendo na minha vida nesses últimos anos. Eu queria ter feito um post específico explicando tudo, mas acabei não fazendo e agora não sei o que as pessoas sabem e o que não rs. Em vez de ficar preparando mil posts que talvez eu nem consiga fazer sobre o assunto, tentando adivinhar o que vocês precisam saber, achei melhor pedir para vocês enviarem perguntas nos comentários (aqui ou nas redes sociais, tanto faz. Só não tenho lido as mensagens privadas, mas os comentários eu leio todos), para que eu responda tudo em um post só, como se fosse uma entrevista ou um grande e-mail para “azamiga”.
O que acham? Será que dá certo? Aí a gente mata esse assunto de vez e consegue dar continuidade ao blog sem essa sensação de que estou me repetindo ou dizendo algo que não interessa a ninguém. Pode ser sobre outros assuntos também, principalmente perguntas que permitam respostas relativamente curtas ou menos elaboradas (se precisar de resposta muito longa, transformo em livro, aí demora mais rs). 
E fiquem à vontade para dar sugestões de conteúdo, estou sempre aberta a ideias. 
Então…enviem suas perguntas, caso as tenham. Vamos montar um (ou mais de um) post participativo, tipo entrevista doida/mesa redonda diferentona, para ver se consigo organizar esse negócio.
Mega feliz por poder voltar ao blog e ler os comentários das pessoas. Vocês dizem que sentem como se eu fosse uma amiga, mas posso dizer que a recíproca é verdadeira, também sinto como se fosse amiga de vocês, como se conhecesse cada um que comenta. Reconheço os nomes e os endereços de e-mail, amo a inteligência, a sinceridade e o senso de humor que transparecem nos comentários e acho que tenho o melhor grupo de leitores de toda a internet! Pessoas que se divertem lendo meus textos infinitos já se pré-selecionaram como pessoas especiais e diferenciadas hahahaha. Tão ETs como eu, com certeza! Eu fico falando sozinha enquanto leio seus comentários, respondendo, argumentando e batendo papo rs. (tanto que às vezes até acho que já respondi, é um problema.) E vocês estão sempre nas minhas orações! 
Por isso acho que essa ideia dos posts interativos/entrevistas pode ser algo divertido. Bem, já dei a ideia, me digam o que acham! 
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PS. Só para saber: todo mundo que vem aqui já me segue no Instagram? ( https://www.instagram.com/vanessalampert/) Estou tentando manter alguma atividade por lá também, nesse propósito de “mexer o esqueleto” literário-social para tentar sair da caverna metafórica (porque não se acende uma lâmpada para colocar embaixo da cama, né?).
PS2. Estejam cientes de que essa ideia maluca é um desafio para mim. Mas como parece ser uma ideia divertida, acho que vale encarar o desafio. 😛

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Sobre quem você realmente é

Comecei a colocar algumas coisas do meu dia a dia no Instagram, e escreverei também aqui no blog, porque preciso que você entenda que o nosso modo de pensar tem maior responsabilidade sobre nosso emocional do que as circunstâncias, em si. As pessoas tendem a achar que só dá para ser feliz quando tudo está dando certo, a ponto de estranharem eu estar doente, sorrindo e brincando. Mas a felicidade e a paz interior não podem depender das circunstâncias externas (mesmo quando esse “externo” é o seu corpo rs). 
Não, você não vai me ver triste e sorumbática por estar me sentindo mal, não porque eu esconda ou disfarce, mas simplesmente porque o que acontece por fora não afeta meu estado de espírito. Momentos de tristeza podem acontecer, mas são pontuais e passam muito rápido; meu estado basal é alegria, mesmo quando me sinto cansada, exausta fisicamente  ou mentalmente. 
Esse milagre não é meu, não é da minha natureza. Esse milagre é do Espírito de Deus, que mudou minha natureza dramática em uma natureza de estabilidade e força. Na verdade, ele consertou um desvio de percurso e, à medida que me fez mais parecida com Ele, também me fez mais parecida com como eu deveria ter sido, originalmente. Minha primeira experiência com doença, na primeira infância, não foi tão diferente dessa. Nasci com uma cardiopatia chamada Persistência do Canal Arterial. O Canal Arterial (que também atende pelo pomposo nome de Ductus Arteriosus), é um canal que liga a artéria pulmonar à aorta e é indispensável à vida do feto, mas fecha nas primeiras 48 horas do nascimento. O meu, não fechou, causando sintomas que se agravaram aos dois anos, até os quatro, quando operei, já com hipertensão pulmonar. Eu me sentia muito mal, mas brincava, corria (desmaiava, mas depois levantava e seguia a vida). 
Fiz a cirurgia e no pós operatório os curativos eram chatinhos, mas não dava bola para aquilo, estava mais interessada no que acontecia ao meu redor. A comida do hospital adventista era gostosa e eles me davam gelatina, pêra e suco de uva. A fisioterapia respiratória era feita assoprando uma luva de procedimento (tempos pré-respiron rs), que o fisioterapeuta insistia que era um balão — e eu sabia que não era. Todo mundo era legal e me tratava bem. Fiquei com memória afetiva de hospital (que já perdi depois que fiquei UM MÊS com meu marido internado em Porto Alegre) e minha visão estava lá na frente, no fato de que eu iria conseguir brincar e correr sem perder o fôlego e sem desmaiar. E faria natação, meu sonho! (sonho, até eu começar a fazer rs.)
É claro que o fato de a minha mãe estar sempre calma também ajudou. Nunca a vi se desesperar, nunca a vi chorando ou agindo como se eu fosse morrer. Ela me entregou para Deus e entendeu que estava nas mãos dEle. Tinha certeza de que eu iria ficar bem e decidiu (conscientemente) viver um dia de cada vez, lidando com as situações no momento em que aconteciam, sem ficar antecipando os problemas (o contrário do que eu fiz na maior parte da minha vida). Teria sido mais difícil ficar tranquila se ela fosse uma pessoa histérica, mas acho que teria conseguido, eu realmente não era dramática nesse tempo (intensa, mas não dramática). Depois da cirurgia, fiquei com uma cicatriz enorme nas costas e logo já encontrei um modo de atribuir a ela valor positivo: Só eu tinha aquela cicatriz, o que fazia com que minhas costas fossem testemunhas de algo único!
Então, eu meio que já tinha essa forma tranquila de ver a vida, a confiança que as crianças de quatro anos têm. Deus resgatou em mim algo que já tinha sido soterrado pela insegurança, medo e dúvida que foram jogados na minha cabeça pelos gremlins da vida no decorrer dos anos. Às vezes o que você acha que é da sua natureza, à qual se agarra com tanta força por achar que é da sua “essência”, nada mais é do que um punhado de porcaria que se colou em você muito cedo. Por isso a gente precisa entregar todo o nosso eu para Deus, todo o nosso jeito, todas as nossas reações, nossas vontades, nossas opiniões e padrões de pensamento, sem medo, para que Ele decida o que fica e o que sai. Porque, sejamos honestos, ninguém se conhece tão bem assim para dizer o que é natural e o que foi construído. No fim das contas, só Deus sabe o que é nosso e o que é lixo.
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PS. A foto foi tirada em uma apresentação do jardim de infância, no ano da cirurgia. Vanessinha vestida de baiana. Mas esse bronzeado aí é fake news, a foto é saturada assim e eu não quis alterar no photoshop antes de postar.
PS2. Espero que minha ausência prolongada não tenha causado danos cerebrais irreversíveis em ninguém (nem em mim rs). 

domingo, 5 de janeiro de 2020

O domingo foi assim

* O domingo foi assim. Hipotensão, “dor em cabide”, fadiga, dor miofascial, intolerância ortostática. Não deu para fazer nem metade do que eu tinha planejado, mas mesmo assim consegui ir à igreja e à feira pela manhã, lavar um pouco de louça e limpar as caixas de areia. Depois, fiquei deitada vendo filme, já que a pressão caiu bastante e o dia acabou antes de terminar. Quando um dia assim acontece com uma pessoa normal, ela corre para o hospital. No meu caso, dificilmente ajuda, porque hospital nenhum é capaz de resolver.  Então recorro a Quem resolve. E vou dormir daqui a pouco, crendo que amanhã será um dia muito melhor. 

Na fé eu sou teimosa. Creio que estou curada, e os sintomas vão acabar sendo obrigados a admitir isso também, mais cedo ou mais tarde. 😄 Por enquanto podem até estar insistindo, tipo demônio manifestado: “eu não vou saiiiir”, mas vão sair, sim, não estou nem um pouco preocupada. 

Só passei aqui para te lembrar que a maioria das nossas batalhas é travada longe dos holofotes, e em muitas delas Deus é o único capaz de ajudar e resolver. A única forma de permanecer de pé é deixar de lado o drama e o sentimento de vítima e seguir em frente, na certeza de que você não está sozinho. 
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PS. Acho que a gente não erra se tiver o hábito de dar um desconto para as pessoas, alongar um pouco a paciência. Obrigada a todos os leitores e amigos que têm tido infinita paciência com meu sumiço, com meu silêncio e com o fato de às vezes eu aparecer, mas não responder ou não dar a atenção que deveria. Fico mega feliz com cada comentário. Vocês são fantásticos! 

PS2. Pretendo recomeçar a postar no blog amanhã. Aviso aqui e no Facebook. 

PS3. Quando as legendas das fotos no Instagram começam a ficar enormes, você desconfia que está precisando de um blog 😄

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#Fé #Vencendo #SemDrama #hipotensão #disautonomia #Dysautonomia #EhlersDanlos #DorEmCabide #ComoSeAlguémTivesseCabideNasCostas #ÉCadaUma
*Texto originalmente postado no Instagram @vanessalampert